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Sobre
O que é a Arkablues?
A Arkablues é uma banda brasiliense fundada em 2011 por entusiastas músicos moradores do Condomínio Verde na região do Jardim Botânico/DF que se reuniam para tocar e se divertirem. A banda passou por várias formações e chega em seu atual momento com uma formação mais sólida, tendo: Luiz Kiss: Vocalista, Adônis Reis: Guitarra e voz, Paulo Chapa: Gaita e voz, Leo Cólera: Baixo e voz e Sady Carmo: Bateria e voz.
O nome Arkablues surgiu em 2014, simbolizando a proposta de ser um veículo para o gênero blues dentro do cenário local. A banda é formada por músicos experientes que atuam de forma independente em todas as etapas de produção: desde a gravação dos álbuns até o gerenciamento de redes e produção de shows. É um grupo que valoriza a troca com outros artistas e utiliza sua base técnica para criar um som autoral que dialoga com a realidade humana, urbana e geográfica de Brasília.
Qual o estilo musical?
O som da Arkablues é fundamentado no Blues, mas sem se prender ao purismo do gênero. A sonoridade é uma mistura direta de referências clássicas do estilo com influências do Rock, Folk, funk e música brasileira. Na prática, o diferencial técnico está na busca pelo timbre, sonoridade, estilo e características musicais individuais de seus integrantes, utilizando um misto de equipamentos analógicos e valvulados para garantir uma entrega orgânica, mas finalizada com a clareza das técnicas modernas de edição e produção que a própria banda domina.
Discografia e Produções
Beijei a Lona (2025): Primeiro álbum autoral da banda, lançado recentemente, que marca a maturidade das composições do grupo. 11 faixas dívidas e comentadas:
1. Esperando Quem Não Vem
Esta faixa destaca-se pela gestão do silêncio e da expectativa. Musicalmente, a composição utiliza uma cadência que enfatiza a narrativa da ausência, onde a instrumentação serve como moldura para a interpretação vocal. O trabalho de mixagem aqui foca em manter a voz em primeiro plano, enquanto as texturas de fundo evocam a atmosfera de espera. A harmonia evita resoluções óbvias, criando uma tensão que resolve apenas nos ápices instrumentais. É uma canção que demonstra a capacidade da banda em construir ambientes emocionais através da dinâmica controlada. O ponto alto da sátira lírica surge no trecho "e o apito desse trem na cabeça", onde a banda brinca habilmente com o duplo sentido: a gíria mineira "trem" para determinar qualquer objeto ou situação, cruzada com a imagem clássica do trem de ferro, tão onipresente na mitologia e sonoridade do blues.
2. Me Iluminei Lavando a Louça
Esta faixa exemplifica a proposta da banda de humanizar o gênero, trazendo o Blues para o plano doméstico e cotidiano, quebrando a mística do "sofrimento distante". Musicalmente, o destaque reside na fusão direta da energia do Rock com a levada shuffle, sustentada por uma linha de baixo marcante que define o balanço da canção. A produção clara permite distinguir a separação dos instrumentos, evidenciando o diálogo entre o vocal assertivo e a cozinha rítmica que dá o tom urbano da faixa.
3. Coração Pele e Blues
Uma composição carregada de sensualidade e conexão física profunda. O arranjo é econômico, permitindo que cada nota de guitarra e cada fraseado de voz tenham peso e intenção. É uma canção de contrastes, variando entre momentos de calmaria e explosões de intensidade onde a dinâmica é o elemento central. A banda demonstra maturidade ao saber quando recuar para deixar a melodia respirar e quando crescer para enfatizar o sentimento, conectando a técnica musical à pele e ao realismo das relações.
4. Beijei a Lona
Esta composição funciona como o núcleo do álbum. Musicalmente, ela carrega a estrutura clássica de um Blues de 12 compassos, mas com um acento de Blues-Rock contemporâneo. A base rítmica de Sady Carmo e Leo Cólera é sólida, permitindo que a canção tenha um "groove" que não se arrasta. O diálogo entre a gaita de Paulo Chapa e a guitarra de Adônis Reis cria uma textura densa. A letra trata da resiliência e das quedas da vida de forma direta, sem romantismo excessivo, o que reforça o tom realista da banda.
5. Banho De Chuva
Com uma levada assertiva, esta música explora a conexão com o clima do Cerrado, onde a chuva representa um profundo sentimento de alívio e agradecimento após o longo período de seca. A rítmica de Sady Carmo e Leo Cólera impulsiona a canção de forma direta, servindo como base para as intervenções de gaita e guitarra. Tecnicamente, as guitarras apresentam um overdrive equilibrado e o uso de wah-wah no solo, garantindo peso sem perder o swing da guitarra base, nitidamente influenciada pelo funk. É o momento em que a mistura funk-blues-rock da Arkablues se manifesta com mais vigor.
6. My Brother Blues
Uma celebração fraterna traduzida musicalmente e focada na estrada compartilhada. A estrutura privilegia o call and response (chamada e resposta) especificamente entre a voz de Luiz Kiss e a gaita de Paulo Chapa, refletindo a sinergia de anos de parceria entre "irmãos". O arranjo é clássico e valoriza os detalhes de sentimento na gaita. A gravação transmite com fidelidade a sensação de "tocar junto", onde cada instrumento ocupa seu espaço de forma inteligente, permitindo que o ouvinte perceba a cumplicidade da banda e a profundidade sentimental da letra.
7. Assento Flutuante
Trata-se de uma das faixas mais experimentais, onde a banda atua como "designer de som" para interpretar um sonho. O título sugere uma sensação de suspensão traduzida por efeitos de tempo e modulação nas guitarras, criando uma ambiência onírica. A base rítmica mantém o chão enquanto as camadas superiores flutuam. Um elemento técnico fundamental é a mudança de andamento, que caracteriza a natureza repentina e inconstante das transições em um estado de sonho, expandindo o horizonte do blues para um campo mais introspectivo.
8. Perto Da Encruzilhada
A canção dialoga com o mito fundacional do blues, mas transporta a "encruzilhada" para a realidade das rodovias e caminhos do Centro-Oeste. É uma faixa densa, com um groove pesado e a crueza que é assinatura da Arkablues. O trabalho de gaita é visceral, servindo de contraponto emocional à letra. A produção valoriza a sonoridade rústica dos equipamentos, reforçada pelas camadas de teclados do convidado Leo Brandão, que adicionam profundidade e reforçam o caráter geográfico e histórico da composição.
9. Do Blues Ninguém Se Aposenta
Um manifesto sobre a longevidade e o ofício da música. Com um andamento assertivo, a faixa foge do clichê do músico "maldito" para focar no bluesman como um trabalhador experiente da arte. A composição é direta, pé no chão, e reflete a vivência dos integrantes. É uma canção que traduz a persistência e a paixão pelo gênero que não se apaga com o tempo.
10. Desculpe Baby
Uma faixa de Blues-Rock direta e pragmática que lida com temas cotidianos de forma resolutiva. O andamento é ágil e a estrutura harmônica favorece a energia das apresentações ao vivo. A entrega vocal é assertiva, apoiada por uma banda que prioriza o ataque e a pegada rítmica. É uma música sem distrações, focada na força do ritmo e na clareza da mensagem, mantendo o caráter pulsante do início ao fim.
11. Soluços (Jards Macalé)
A releitura da obra de Macalé é o ponto onde a Arkablues reafirma sua brasilidade. Ao trazer essa composição visceral para o seu universo elétrico, a banda prova que o blues é uma linguagem capaz de traduzir a MPB. O arranjo ganha o peso das guitarras e a expressividade da gaita, mantendo o caráter "torto" e emocional da versão original, mas sob a ótica sonora e o vigor técnico característicos do grupo.
O ciclo iniciado com o álbum "Beijei a Lona" representa um momento de expansão e consolidação para a Arkablues. O projeto, realizado com o apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (SeCEC-DF) em 2025, não apenas registrou a maturidade autoral do grupo, mas serviu como um passaporte para a internacionalização do som produzido no Cerrado.
Abaixo, um panorama sobre o impacto deste trabalho, sua presença em festivais e o compromisso social da banda:
Internacionalização: Do Cerrado para a América Latina
O lançamento de "Beijei a Lona" em agosto de 2025, no Clube do Choro de Brasília, foi o ponto de partida para uma trajetória que cruzou fronteiras. A banda foi convidada para o Quito Blues Festival, no Equador, um dos encontros mais tradicionais do gênero no continente.
A participação em Quito não foi apenas um show, mas um intercâmbio cultural. A recepção do público equatoriano às faixas autorais, como a própria "Beijei a Lona" e "Me Iluminei Lavando a Louça", abriu portas para uma agenda internacional mais robusta. Como desdobramento direto, a Arkablues já possui convites e planejamentos para apresentações na Bolívia e no Uruguai em 2026, além de articular uma circulação por palcos nacionais, levando a identidade do blues brasiliense para outras capitais.
Compromisso Social e Formação de Plateia
Como parte da contrapartida do projeto "Beijei a Lona" apoiado pelo FAC/DF, a Arkablues reafirmou seu papel educativo e social. A banda realizou uma apresentação na escola pública CED Zumbi dos Palmares, São Sebastião, DF, levando a experiência do show profissional para o ambiente escolar.
Mais do que a música, a ação focou no incentivo prático à educação musical:
Doações e Incentivo: Durante o evento, foram sorteadas duas guitarras e duas gaitas, instrumentos doados com o objetivo de colaborar diretamente com a criação e evolução musical de jovens estudantes.
Diálogo: A atividade permitiu que os integrantes compartilhassem suas trajetórias como músicos e profissionais da arte, humanizando a figura do artista e mostrando que a música é um caminho acessível e transformador.
Presença Digital e Reconhecimento
Nas redes sociais, especialmente no Instagram, a banda tem documentado sua jornada com a sobriedade que lhe é característica. Os registros mostram uma banda em plena atividade, dividindo-se entre o rigor técnico do estúdio e a entrega visceral nos palcos.
O engajamento do público reflete essa dualidade: há o respeito dos entusiastas do blues pela qualidade do timbre e da execução, e o carinho da comunidade local que vê na Arkablues uma gestão cultural independente e bem-sucedida.
Resumo da Fase Atual
A Arkablues em 2025/2026 se posiciona como uma banda que entende a música como um ciclo completo: Pesquisa (Documentário) → Criação (Álbum) → Difusão (Festivais) → Retorno Social (Escolas).Essa estrutura realista e funcional garante que o grupo não dependa apenas do "sucesso momentâneo", mas construa um legado sólido no cenário cultural brasileiro e sul-americano.
Do Mississippi ao Cerrado (2021): Documentário produzido pela banda que explora a história do Blues e sua conexão com o Planalto Central, servindo como um registro de pesquisa e difusão cultural.
O documentário "Do Mississippi ao Cerrado: Uma breve história do blues (2021)" consolidou-se como um dos registros audiovisuais mais significativos para a memória do gênero no Distrito Federal. Produzido em um momento crítico para o setor cultural, o projeto cumpre com sua função de contrapartida social da Lei Aldir Blanc, transformando uma pesquisa histórica em um bem público de livre acesso. Abaixo, uma análise técnica sobre os pilares que compõem essa obra:
Produção e Direção
A direção assinada por Leonardo Jaques (Leo Cólera - baixista da Arkablues) opta por uma linguagem didática e direta. A montagem utiliza recortes da história do estilo com arquivos pessoais, coletados do movimento BsBlues que estabelecem uma linha do tempo clara: parte das raízes rurais do Mississippi, passa pela eletrificação urbana e culmina na apropriação do gênero pela identidade brasiliense.
A produção é pragmática, focada na clareza da informação. O uso de imagens de arquivo intercaladas com a narrativa cria um ritmo fluido que atende tanto ao espectador leigo quanto ao estudioso da música. O fato de ser produzido pela própria banda garante proximidade à teoria da prática musical vivida no Cerrado.
Acesso e Alcance Digital
Disponível de forma gratuita e permanente no YouTube, o documentário rompe as barreiras geográficas, permitindo que o conteúdo alcance pesquisadores e entusiastas além das fronteiras do DF. Com mais de 63 mil visualizações, o vídeo apresenta números expressivos para um documentário de nicho cultural, o que indica que ele ultrapassou o círculo imediato da banda e tornou-se uma referência de pesquisa.
Participação do Público e Engajamento
A seção de comentários do vídeo revela a eficácia do projeto como ferramenta de formação de plateia. Os feedbacks geralmente se dividem em três frentes:
Reconhecimento Histórico: Usuários que agradecem pela síntese histórica, utilizando o vídeo como material de estudo.
Identidade Local: Comentários que celebram a presença do Blues em Brasília, reforçando o sentimento de pertencimento à cena do Planalto Central.
Validação Técnica: Elogios de outros músicos à sobriedade da narrativa e à qualidade da pesquisa apresentada pela Arkablues.
Importância como Contrapartida Social
Diferente de contrapartidas que se encerram em eventos únicos, este documentário é um ativo cultural permanente. Ele justifica o investimento público da Lei Aldir Blanc ao oferecer:
Educação Musical: Uma aula gratuita sobre a evolução de um dos gêneros mais influentes do mundo.
Registro Histórico: A documentação de como o Blues se estabeleceu e evoluiu dentro do contexto geográfico e social do Distrito Federal.
Democratização: O livre acesso garante que qualquer pessoa com conexão à internet possa consumir um conteúdo de qualidade técnica e histórica.
Em resumo, o vídeo não é apenas um "vídeo de banda", mas um documento que posiciona a Arkablues não só como executora musical, mas como difusora da história do Blues no coração do Brasil.
Formação e Integrantes
Luiz Kiss: Vocalista.
Adônis Reis: Guitarra e voz.
Paulo Chapa: Gaita e voz;
Leo Cólera: Baixo e voz.
Sady Carmo: Bateria e voz.





